Faz tempo que não escrevo nada simplesmente por escrever. Ando tão cheia de tarefas acadêmicas e tão cheia de preconceitos comigo mesma que me esqueci o quanto escrever me faz feliz, me dá prazer. Escrever me permite me encontrar, me descobrir, e descobrir os meus segredos mais guardados, as coisas que não consigo explicar, as coisas que simplesmente não sei dizer.
Hoje senti saudade das palavras, senti saudade de mim. Eu penso tantas coisas o tempo todo desordenadamente, que silenciar meu coração é um desafio. Mas quando páro para escrever por escrever, sou capaz de organizar meus pensamentos e traduzi-los em palavras. Escrevo para mim. Para que eu possa me compreender, me sentir de verdade, com calma, sem a minha correria interior de sempre.
Eu preciso parar de vez enquando, me aquietar, para conseguir ouvir Deus dentro de mim me ensinando e me instruindo. Os meus barulhos internos não permitem que eu O ouça e nem que eu entenda o que eu mesma quero dizer. Por isso falo muito. Tenho muitas coisas rodando na minha cabeça e, quando estou com alguém, tento desepejar o máximo daqueles pensamentos para me esvaziar um pouco. Isso me incomoda. Ás vezes me sinto uma chata falante - principalmente porque falo alto e rápido demais, exatamente como o que está dentro de mim. Por isso também tenho muita dificuldade em ficar sozinha. Preciso de alguém que me escute. Ou então simplesmente alguém que seja capaz de falar mais que eu para ocupar-me com outra coisa senão comigo mesma.
Quando escrevo pro nada, pro vazio, pra mim ou pra Deus, a solidão não me incomoda. E também não me chateio por ter que alugar o ouvido de alguém. Sinto como se meu coração e a minha mente se calassem e eu assumisse o controle. Fazia tempo que eu não exercitava isso. Estava com saudade desse encontro comigo.
Hoje, eu fui ao cinema sozinha. E descobri a beleza que existe nisso. Fui orando pelo caminho, conversando com o Senhor, tentando me silenciar ao máximo para escutá-lo. Concentrei-me nas minhas vontades, no que eu queria fazer para me dar prazer. Não me senti mal por estar sozinha. Pelo contrário, estava feliz, radiante. Dei risadas comigo mesma, e chorei - como sempre - nas cenas que raramente alguém choraria. Aprendi que ás vezes é bom me ter como única companhia. Aprendi que, por ser um Sacrário vivo, carrego Jesus em mim e não estou sozinha. Ele vai comigo aonde eu vou. E isso também faz parte do que eu sou.
Eu poderia dizer que hoje me dediquei a me encontrar...